15.08.2016

Mulheres fabulosas que fizeram história nas Olimpíadas!

“Proibidas na Antiguidade de participar dos Jogos Olímpicos, tanto como atletas, quanto espectadoras, as mulheres passaram por um caminho árduo e longo até alcançarem o direito de participar de competições esportivas e, finalmente, adentrarem a este mundo até então masculinizado. Por muito tempo, o sexo feminino foi considerado incompatível com as práticas físicas e esportivas. Isto se deveu à representação de fragilidade do gênero e ao papel social destinado às mulheres no início da civilização.” (fonte)

Se é verdade que as mulheres deram um verdadeiro show nas Olimpíadas desse ano, isso se deve ao esforço das atletas que vieram antes delas. Assim como na vida como um todo, o percurso feminino dentro do esporte é bastante complicado. No caso dessas moças aqui, isso só foi um estímulo a mais para arrasar.

1. Madge Syers

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Em 1902, Madge Syers percebeu que, apesar de as mulheres nunca terem competido no Campeonato Mundial de Patinação no Gelo, nada no regulamento proibia explicitamente a participação delas. Inscreveu-se e, competindo diretamente contra homens, já de primeira ela ganhou a prata. Nada mau, né? Seis anos depois, em 1908, ela participou também da primeira edição das Olimpíadas que incluíram seu esporte, a patinação. Até aí, Madge já tinha vencido duas vezes o Campeonato Mundial (as duas na recém-inaugurada categoria feminina). Nos Jogos Olímpicos, ganhou o outro na categoria feminina individual, e o bronze patinando junto ao marido, Edgar Syers, técnico e também atleta.

2. Fanny Durack

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Australiana, ela foi a primeira nadadora a ganhar o ouro olímpico. Na época em que ela competiu, no começo do século 20, não era permitido que homens (nem mesmo pais ou irmãos de atletas) assistissem às competições das nadadoras, já que os trajes de banho deixavam muito à mostra. Nas Olimpíadas de 1912 – em que, por conta dessa “vergonha”, os Estados Unidos nem sequer enviaram nadadoras –, Fanny se tornou a primeira mulher a receber o ouro olímpico em uma prova de natação. Ela foi também o único ouro em esporte individual da Austrália naquelas Olimpíadas. Ela era rebelde e independente. Na foto, ela é a da direita, ao lado da também nadadora (e também australiana) Mina Wylie.

3. Lis Hartel

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A dinamarquesa Lis Hartel ficou paraplégica quando, em 1944, contraiu poliomielite. Ao longo do tempo, conseguiu recuperar parte de seus movimentos, ficando paralisada somente abaixo dos joelhos. Mesmo assim, se destacou em âmbito internacional por seu desempenho no Adestramento, uma modalidade de Hipismo. Participou de campeonatos Escandinavos e de dois Jogos Olímpicos – um em 1952 e o outro em 1956. Apesar das dificuldades, pasme: Lis conseguiu a prata nas duas participações – em que competiu, diga-se de passagem, diretamente contra homens.

4. Jujie Luan

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Foi principalmente depois de seu desempenho no Campeonato Mundial de Juniores de 1977 que a esgrimista Jujie Luan se tornou uma celebridade na China. Em uma disputa, ferida por sua oponente, ela decidiu continuar lutando até o fim: e acabou levando a prata. Nos Jogos Olímpicos de 1984, em Los Angeles, ela ganhou o ouro. Mas foi muito depois de tudo isso, em 2008, que ela realmente deixou o mundo de queixo caído: Jujie já tinha se mudado para o Canadá havia pouco menos de 20 anos e se naturalizado canadense, quando soube que a China sediaria os Jogos Olímpicos daquele ano. A partir disso, fez de tudo para conseguir participar. Detalhe: ela estava com 50 anos. Jujie conseguiu se classificar, apesar de não ganhar nenhuma medalha.

5. Alice Coachman

Alice foi a primeira mulher negra da história a ganhar o ouro olímpico, em 1948. Sua modalidade era o salto em altura – que, durante a juventude, ela treinou descalça, usando cordas e bastões. Desde criança ela corria e jogava beisebol com os meninos – deixando o pai preocupado por sua falta de feminilidade. “Ele dizia ‘sente na varanda e aja como uma moça`”, disse a atleta em entrevista para a NBC, em 2012. “Mas eu não fiz isso”. Ela quebrou paradigmas, portanto, de gênero e de raça: quando voltou aos EUA depois do ouro, foi homenageada em uma cerimônia em que brancos e negros não puderam sentar lado a lado.

6. Debi Thomas

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Debi foi a primeira patinadora artística a não usar saias para competir em uma Olimpíada, em 1988. Além de controvérsia, sua ousadia causou também a criação de uma regra oficial, obrigando mulheres a usar saias nas competições. Isso só foi cair em 2004, quando passou a ser possível às patinadoras escolher entre saias, calças ou macacões. Até hoje, para os homens as vestimentas seguem bastante restritas: eles devem usar calças sempre. Há quem diga que a regra vem para evitar que o tecido fique muito justo na área pélvica – para que as competições sejam “apropriadas” o suficiente para a presença de famílias na plateia.

7. Zahra Nemati

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Zahra é uma atleta olímpica e paralímpica do Irã. Apesar de já ter sido faixa preta de taekwondo, é em outra modalidade que compete, hoje em dia: no tiro com arco. Isso porque, aos 19 anos, ela perdeu o movimento das pernas em um acidente de carro. Sua vontade de ser atleta, no entanto, permaneceu intacta. Nos Jogos de 2012, em Londres, ela ganhou o ouro paralímpico – e foi a primeira mulher iraniana, seja em Jogos Paralímpicos ou Olímpicos, a realizar o feito. Ela foi porta-bandeira de seu país na cerimônia de abertura do Rio – também sendo a primeira iraniana na função.

8. Wilma Rudolf

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Em 1960, Wilma foi considerada a mulher mais rápida do mundo. Um feito incrível levando em consideração que ela sofreu de poliomielite na infância e precisou usar aparelho nas pernas depois de perder a mobilidade na perna esquerda quando tinha seis anos. Depois de anos de tratamento e muita determinação, Wilma Rudolf ganhou a medalha de ouro nas Olimpíadas de Verão de 1960. “Eu não sei porque eu corro tão rápido. Eu apenas corro”, ela contou.

9. Nadia Comaneci

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Essa ginasta romena ganhou medalhas de ouro nos jogos de 1976. Ela foi a primeira ginasta a conseguir a pontuação perfeita de 10. “Você precisa ter muita paixão pelo que faz”, ela disse à CNN em 2012. “Trabalhar duro e ter muita motivação podem te levar a lugares que você nunca acreditou”.

10. Fanny Blankers-Koen

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A atleta dinamarquesa ganhou quatro medalhas de ouro em 1948. Na época, ela tinha 30 anos e era mãe de duas crianças. Por ser mãe, foi criticada por competir nos jogos. “Eu recebi muitas cartas dizendo que eu deveria ficar em casa com meus filhos e que não deveria ser permitido eu correr com shorts curtos”. Esse depoimento deprimente foi dito ao New York Times, em 1982. Fanny ainda comentou que um jornalista chegou a dizer que ela era muito velha para competir. “Quando eu cheguei em Londres, eu apontei o meu dedo para ele e disse: ‘eu mostrei para você'”, disse.

11. Helen Wills

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Wills foi a primeira tenista norte-americana que levou para casa medalhas de ouro nas competições solo e em dupla, nas Olimpíadas de Paris em 1924. Ela também é considerada a primeira mulher atleta a virar uma celebridade no esporte.

12. Micheline Ostermeyer

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A atleta francesa e pianista competiu nas Olimpíadas de 1948 e ganhou medalhas de ouro nos lançamentos de dardo e disco. Ela também ganhou o bronze no salto ornamental. Micheline começou a treinar o arremesso de disco algumas semanas antes das Olimpíadas.

13. Joan Benoit

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Até 1984, acreditava-se que mulheres não eram capazes de competir em provas longas de corrida. Os Jogos desse ano, em Los Angeles, foram os primeiros que contaram com a maratona feminina. A norte-americana Joan Benoit foi a grande vencedora, terminando a prova em 2h24min52s. Ela era tão resistente que, ao fim da prova, disse que poderia dar meia volta e correr por mais 40 km.

14. Stacy Dragila

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O salto com vara feminino não era um esporte olímpico até os Jogos de 2000, em Sydney. A primeira medalha de ouro saiu para a norte-americana Stacy Dragila.

15. Wojdan Shaherkani

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A judoca saudita Wojdan se tornou a primeira mulher de seu país a participar dos Jogos Olímpicos. Ela quase ficou de fora desta edição dos Jogos por conta da proibição da Federação Internacional de Judô (IJF) de competir usando o hijab (veste islâmica). No entanto, após negociações entre o Comitê Olímpico Internacional (COI), a IJF e a delegação saudita, a jovem judoca de 16 anos, que recebeu um convite especial para participar de Londres-2012, pôde lutar usando um hijab especial que respeita a “sensibilidade cultural muçulmana”.

16. Maria Lenk

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Aos 17 anos, a paulistana Maria Emma Hulga Lenk disputou a terceira bateria dos 200m peito. Maria Lenk se tornou a primeira mulher sul-americana a participar dos Jogos Olímpicos e a usar o nado borboleta, recém-desenvolvido nos EUA, em uma competição oficial. O nado borboleta só entraria no programa olímpico 20 anos depois, nos Jogos de Melbourne-1956.

Com um legado maravilhoso de mulheres atletas, não tem como não se inspirar e ir participar dos próximos jogos!

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