20.08.2016

Os momentos mais sexistas das Olimpíadas Rio 2016

Pela primeira vez na história das Olimpíadas, o destaque (ou os destaques) é o sucesso feminino no esporte. São muitas atletas que estão brilhando (como sempre), ganhando medalhas, batendo recordes, rompendo barreiras sociais e culturais e provando que lugar de mulher é onde ela quiser. Ainda assim, a mídia insiste em focar na beleza delas, no quão jovens são ou em como um marido faz a diferença na carreira. E estamos falando de 45% dos esportistas participantes da Rio 2016!

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Um estudo comprova que quando se trata das atletas, as referências costumam ser sobre o estado civil, idade e, claro, aparência. Termos como “rápido“, “forte” e “fantástico” são diretamente utilizados no trato dos atletas homens – dificilmente vendo alguém questionar se eles são casados, têm filhos ou quão bonitos são seus corpos.

As inúmeras manchetes, tuítes, posts no Facebook e Instagram, bem como a cobertura televisiva do evento, servem para instaurar a reflexão sobre o assunto. Essa é uma das temporadas mais incríveis paras as mulheres como as atletas lacradoras que são. E não como os corpos “bonitos”, rostinhos “delicados” ou “solteiras interessantes” que ~certas pessoas~ insistem em objetificar.

Alguns exemplos, apenas nesta edição dos jogos:

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1. A dupla das egípcias Doaa Elgobashy (19) e Nada Meawash (18), no vôlei de praia, chamou a atenção nesta temporada – e não foi pelo fato de ser a primeira participação do país na modalidade, ainda mais se tratando de duas mulheres jovens e que ainda não têm participação significativa na delegação. O mais importante era falar sobre as diferenças de roupas que cada dupla usava: as brasileiras de top e biquíni, enquanto as egípcias jogavam de calça e hijab (véu). Por mais que a foto tenha se tornado icônica pela diversidade e diferenças de culturas, tal fato tornou-se mais relevante que o esporte.

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2. Uma das principais estrelas desta edição, a nadadora húngara Katinka Hosszu está colecionando medalhas e já bateu o recorde mundial na prova. Porém, o importante para um âncora da emissora norte-americana NBC foi ressaltar que o responsável pelo fato era… o marido dela (seu treinador).

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3. Outro repórter também da NBC disse que a seleção feminina de Ginástica Olímpica dos EUA poderia “muito bem estar no meio de um shopping”. Fica a dúvida: será que ele diria o mesmo se fosse a equipe masculina?

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4. A medalhista de bronze em tiro esportivo da equipe dos Estados Unidos, Corey Codgell-Unrein, ganhou a manchete do Chicago Tribune por ser a esposa de um atleta dos Bears, time de futebol americano da cidade. Imaginem se ela tivesse um nome?

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5. A goleira da seleção angolana de handebol, Teresa Almeidamerece destaque pela atuação e também por defender seu país em uma Olimpíada. Não por medir 1,70m e pesar 98kg – ou seja, estar “fora dos padrões” para as mulheres – e “não ter complexos” com isso, como afirmou a manchete do espanhol Marca TMF.

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6. Alexa Moreno é uma atleta olímpica, mas teve internauta com coragem para chamá-la de gorda, diminuir seus esforços para vencer desqualificando o treino que uma mulher com o seu físico poderia ter e até compará-la à personagem de desenho animado. “Fiquei um pouco chateada e me senti feia”. Vergonha define.

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7. O nadador norte-americano Ryan Lotsche chegou a afirmar que sua companheira de equipe Katie Ledecky é tão boa por “nadar como um homem”. Ela ganhou seu primeiro ouro olímpico aos 15 anos, tem nove títulos mundiais e bateu 20 recordes com menos de 20 anos – e o fato se deve por ela fazer isso “como um cara“?

Estes foram alguns exemplos que vimos na mídia durante a cobertura dos Jogos. O fato de você ser uma atleta mulher é como se você tivesse que ser sempre a vítima ou coadjuvante; nunca a protagonista. Se for a protagonista, vão criticar o seu corpo, da sua vestimenta, vão te comparar com um homem, como se você nunca pudesse chegar lá sozinha.  :muscle:  O vídeo abaixo é sensacional e resume tudo o que foi postado acima, com tom de indignação:

Se você quiser saber mais sobre os números de (des)igualdade de gênero e Olimpíadas, a plataforma independente de jornalismo de dados Gênero e Número traz gráficos e análises bem interessantes sobre as diferenças das abordagens quando se trata de mulheres. Além disso, o think-tank Olga também criou um minimanual do jornalismo humanizado – uma ótima referência para evitar erros desse tipo e outros tão sexistas quanto.

Fontes: M de Mulher e Fusion

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