22.08.2016

Rio 2016: as Olimpíadas das mulheres!

Esta é a Olimpíada com a maior participação feminina da história: 45% das atletas disputando no evento são mulheres. Isso é motivo de celebração, e deve ser: nunca estivemos tão próximas da equidade, ainda que apenas em número de participação. Cada vez mais as mulheres estão conquistando seu lugar no esporte e mostrando toda sua garra e determinação, mas ainda não representou uma equidade completa entre os gêneros.

A primeira edição das Olimpíadas modernas aconteceu em 1896 e contou com um total de zero atletas mulheres. Quatro anos depois, em 1900, elas eram 22. Já em 1904, pasmem, o número diminuiu e apenas seis guerreiras estiveram presentes. De lá para cá muita coisa mudou e no Rio de Janeiro elas chegaram em número recorde: são 5.185 garotas competindo, o que representa 45% do total de atletas.

Se as Olimpíadas Rio 2016 já teve a abertura com Karol Conká e Mc Soffia, não poderíamos esperar menos da mulherada em campo. Abaixo, apenas uma parte da mulherada que marcou presença firme e forte no evento, com mensagens empoderadoras para dar:

YUSRA MARDINI

Ao fugir da guerra civil da Síria com a família, Yusra, de 19 anos, precisou fazer a travessia entre Turquia e Grécia pelo Mar Mediterrâneo em um barco junto de 20 pessoas, dentre elas sua irmã, Sarah. No caminho de 3 horas, porém, o barco ameaçava afundar e poucos sabiam nadar. As duas encontraram um jeito de salvar a si e aos outros refugiados: nadando, elas puxaram a embarcação por mais de três horas, até que eles atingissem uma ilha grega. O pai de Yusra é professor de natação, e ela nadou desde os três anos de idade. Nos Jogos de 2016, competiu na delegação dos refugiados. Não conseguiu um lugar na semifinal; no entanto, saiu da competição com a sensação de ser uma vitoriosa – e emocionou torcedores de todo o mundo. “(…) Quero inspirar as pessoas a fazer algo de bom na vida. Mesmo que não tenha as condições adequadas, você nunca sabe o que vai acontecer… Continue tentando. Talvez tenha uma chance, como eu. Ou faça sua chance”, contou Yusra em entrevista à ONU.

KATIE LEDECKY

Em resposta a um comentário sexista segundo o qual Katie, de 19 anos, “nada como homem” , o comentarista da rede de TV NBC disse: “Ela não nada como homem, ela nada como Katie Ledecky!” Tão bem, que foi dessa vez que Michael Phelps pediu um autógrafo de Ledecky.

SIMONE BILES

Depois de vencer a medalha de ouro na final geral individual, a ginasta de 19 anos insistiu em receber crédito por suas próprias conquistas. “Não sou o próximo Usain Bolt ou Michael Phelps”, disse ela ao Sporting News depois de receber o segundo ouro. “Sou a primeira Simone Biles.

IBTIHAJ MUHAMMAD

Com sua participação na Rio 2016, a esgrimista de 30 anos se tornou a primeira mulher americana a competir em uma Olimpíada com o véu muçulmano. A atleta já declarou que começou no esporte porque sua mãe percebeu que a atividade poderia ser conciliada com suas crenças, especialmente pelo fato de, no esgrima, as mulheres usarem calças e blusas de manga comprida. “Por experiência própria, sei que o esporte dá às meninas um senso de confiança difícil de encontrar em uma sociedade como a nossa”, defende. Durante as Olimpíadas, Ibtihaj ganhou uma medalha de bronze na competição por equipes.

MICHELLE CARTER

Depois de se consagrar a primeira negra a ganhar o ouro no arremesso de peso, Michelle transmitiu uma mensagem importante sobre imagem corporal e amor próprio. “Estou num esporte em que as pessoas não olham para nós como mulheres, não olham para nós como meninas, ou mulheres femininas”, disse ela à Associated Press. “Mas sempre fui menininha e não consigo separar… entre o esporte e ser mulher”. Este ano, Carter já havia afirmado à revista New Yorker que é OK ser mulher e uma competidora durona. “Agora, é tipo: ‘Quer saber? Somos meninas e conseguimos arremessar essas bolas pesadas e ainda assim somos bonitas”, disse ela. “Acho que está chamando mais atenção para o esporte, e as meninas estão se dando conta: ‘Ei, eu também consigo fazer isso e é OK para meninas também’.”

RAFAELA SILVA

Rafaela, 24 anos, se tornou a primeira brasileira a ser campeã olímpica no judô. Nascida e criada na favela, começou a lutar judô por meio de um projeto social, incentivada pela irmã. Com apenas 20 anos, participou dos seus primeiros Jogos Olímpicos, em 2012 na cidade Londres. Porém, a atleta executou um golpe ilegal, foi banida da competição e se tornou alvo de insultos racistas – pessoas a chamaram de macaca e disseram que ela era uma vergonha para sua família. A carioca conseguiu superar o trauma e deu a volta por cima. Na Rio 2016, depois de receber a medalha de ouro, disse que gostaria de ser um exemplo para as crianças da comunidade e lembrou dos xingamentos que sofreu anos antes. “O macaco que tinha que estar na jaula em Londres hoje é campeão olímpico dentro de casa e hoje eu não fui uma vergonha para a minha família”.

MARTA SILVA

Ao coro de “Marta é melhor que Neymar”, a seleção brasileira deu um show dentro e fora de campo. Apesar do bom desempenho nos jogos, não foi possível subir ao pódio. Mas, Marta, melhor artilheira feminina do país, se emociona e deixa um recado: “Não deixem de apoiar o futebol feminino”.

Que todas as garotas possam se inspirar com estes momentos olímpicos e tenham coragem de seguir seus sonhos em qualquer esporte que escolherem. Aproveito para divulgar esse projeto bem interessante que encontrei, chamado Uma Vitória Leva a Outra, que existe para apoiar e incentivar garotas no esporte! :sparkles: #WINlikeagirl

Fontes: ONU MulheresNotiluca, ESPN, Marie Claire, Claudia, HuffPost, Agência Brasil

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