10.06.2016

A diferentona – Parte 1/2

Existe esta pessoa que é meio fora da “caixinha”. Costuma ver beleza em tudo e, quando imagina algo bonito que não existe, inventa. Vive meio distraída, e quase nunca consegue terminar um livro. Não costuma se prender aos modismos, mas já houve uma época em que não resistiu: sabe essas revistas de menina adolescente? Então. Embora não gostasse muito, se rendeu.

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Vamos falar em primeira pessoa: um dia, eu resolvi comprar uma revista bem específica, porque eu realmente queria. Esta revista só podia ser a Capricho. Eu não sabia exatamente que tipos de conteúdo eu estava prestes a ler. Mas estaria eu interessada nos colírios? Não. Nas celebs? Tão pouco. Nas roupas que a mesada não podia pagar nunca? Menos. Eu estava interessada em buscar alguma coisa nova e interessante. Um livro, uma música, um filme, uma exposição de arte, ou até mesmo produtos de beleza (uma vida inteira baseada em “Como Domar O Cabelo Na Chuva”, “Como Ficar Da Cor Do Pecado” ou “Como Fazer Delineado Gatinho”).

Eu comecei a comprar (mais) algumas edições. Fui fazendo coleção e fiz assinatura. Isso foi no meu terceiro colegial; eu estava com 16-17 anosA real é que toda vez que eu comprava uma nova edição, eu não via absolutamente NADA de novo. Parecia que eu já tinha lido tudo aquilo anteriormente. E isso já estava me cansando…

Quando entrei na faculdade, eu já não assinava e nem lia mais a Capricho. Em momentos de puro tédio do início da faculdade, eu fazia umas visitinhas à comunidade da Capricho no Orkut (POIS É!). Eu ficava ali praticando o deboísmo vendo se eu era mesmo a única diferentona que já não aguentava mais a Capricho. Para minha alegria: não! Eu não era a única! E digo mais: meninas ainda mais novas que eu na época também já estavam bodeadas. Eba!

Foi , aí mesmo, que eu percebi uma coisa: muitas dessas garotas estavam comentando, na verdade, sobre o quanto a Capricho estava chata, sem graça, prolixa e desinteressante. Ou seja: eu nunca pude imaginar que a ~Capricho~ pudesse ser detestada por uma parte de seu público. Percebi que essas meninas não eram tão ingênuas assim, e passei a não mais subestimar uma leitora da Capricho (visto que, eu também já fui uma, hehe).

A conclusão do que (talvez) as leitoras estivessem precisando era: “essas garotas precisam de uma irmã mais velha”!

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