23.06.2016

Quando você vai pra rua e…

girl-bike

…sofre assédio.
Não importa o horário, não importa seu meio de transporte, sua roupa ou aparência. Nada. Apenas o fato de você ser mulher, você vai “chamar a atenção” de alguém, e esse alguém (homem), muito provavelmente vai agir de maneira imbecil.

Minha querida amiga (de infância!) Fernanda, compartilhou em seu Facebook um relato breve, que infelizmente chega a ser ainda rotineiro, mas aos poucos a gente tenta a não achar mais normal. Ainda bem que nada mais grave aconteceu com ela, mas por quê ficar calada e deixar passar? Precisamos falar e nos unir mais.

[Desabafo/ o que fazer em situações de machismo explícito]
Queria contar um relato que aconteceu comigo essa semana para debater como nós, mulheres, podemos agir diante de certas situações de agressão, seja verbal, física ou psicológica promovida por homens.
Eu seguia de bicicleta, pelas ruas de Rio Claro, à caminho da feira, onde compramos nossos alimentos. Seguia sozinha e o Sol tinha acabado de se pôr, lá pelas 18h.
Eis que um homem de moto passa ao meu lado olhando descaradamente (com aqueles olhos que só nós mulheres sabemos identificar) uma, duas , três vezes. Esbocei uma cara de “eai, perdeu alguma coisa?” e fiz um gesto com as mãos do tipo “qual é? dá pra parar?” Tudo isso em movimento e durante poucos segundos.
Ele seguiu reto e bem devagar.. eu reduzi com a bike e vi que ele pararia no sinal a frente. Ele simplesmente parou, virou um pouco a moto e gritou na rua a seguinte frase:
“Eu tava olhando porque vc parecia uma garota de programa, por isso tava te olhando!”
Eu fiquei de longe olhando pra cara dele parada e fazendo gestos de “tá bom, vai embora agora”.
Eu só queria poder sumir dali, me deu um misto de medo e raiva, não soube o que fazer..

Ele seguiu e eu senti que de certa forma, eu tinha sido derrotada naquela situação, ele conseguiu me deixar irritada e com medo..

Depois também pensei, mas e se eu fosse garota de programa? o que dá qualquer direito ao outro de invadir nosso espaço?

Não sei, não soube como agir, não sei se fiz certo, só sei que isso tem que parar e que é preciso discutir sobre como isso deve ser feito, agora, já, antes que mais gente ainda se machuque, por consequência de uma sociedade doente, com pessoas que não tem o mínimo de noção de respeito e empatia ao próximo.

A gente espera muito que isso não aconteça com ninguém, e mesmo que tenha acontecido com alguém, torcemos pra que não aconteça de novo. Será que ainda podemos fazer algo que esteja MESMO ao nosso alcance, ao nosso controle? Toda discussão é bem-vinda! Quem quiser, pode expor sua opinião nos comentários.  :relaxed:

*EM TEMPO: Fernanda é a primeira garota a aparecer aqui no blog na seção Colaboração e ela não é a única a sofrer assédio na rua (ou qualquer lugar). O objetivo deste espaço é dar voz a qualquer garota que queira expor uma opinião ou experiência, queira compartilhar alguma coisa legal (uma música, livro, projeto, ou mostrar algum talento próprio), ou ainda fazer um desabafo. As garotas podem ou não permitir o uso de sua imagem e a divulgação de seu nome, ou simplesmente manter-se anônima.

Se você ou amiga sua quiser mandar algo pra Manarela, escreva para: contato@manarela.com ou mande inbox na nossa página no Facebook! :love_letter:

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