10.07.2016

Seja tudo, antes dos 30

girl-floor

É, minha gente. O tempo passa, até uva passa. Eu aqui, fazendo meus 25 anos neste domingo maravilhoso, e minha maior conquista até hoje foi… um colchão inflável. POIS É! Mas claro que tem outras coisas também, por exemplo: ESTE blog, meu emprego numa empresa de moda e minha formação acadêmica em design gráfico! Me lembro até hoje da primeira compra que fiz quando tive meu cartão de Débito em mãos e ganhei meu primeiro salário do meu único estágio da vida: sim, fui pra Zara. Eu que faço aniversário no meio do ano, sinto como se a cada 6 meses estivesse fazendo uma nova contagem regressiva para ter mais uma nova chance de mudar e repensar a vida. Me prensei na parede e me auto ameacei com algumas perguntas:
Como podemos mensurar o tamanho de nossas conquistas? Como prever se elas são a curto ou a longo prazo? Como dizer o quanto elas são importantes, se elas algum dia foram mesmo nossos sonhos, ou se foram apenas desejos momentâneos que deram certo em se realizar?
E a felicidade? Está plena?

Bem. Eu estou começando este post depois de ler um breve texto no Facebook da Fernanda Abreu. Enquanto eu escrevo aqui, ela ganha mil curtidas a cada 5 minutos hahaha. Eis o que ela diz:

Eu estava há cinco meses sem contato com meu pai. Não por briga, por nada. Apenas sabia que ele tá bem e ele também sabia, então assim a vida seguiu – como nos últimos quinze anos – e tudo bem pra gente.
Aí ontem eu liguei só pra dar um oi, mandar o clássico ~tô viva, heim~ e, após contar do meu trabalho novo, a sua primeira pergunta foi:
– “E aí, já tá se sustentando sozinha?”

Então, esse post não é pra falar sobre minha relação com meu pai, que já tá resolvida pra mim. O que quero aqui é refletir um bocado sobre essa pressão absurda que a sociedade nos impõe de sermos financeiramente bem sucedidos antes dos 30 anos.
Ah, não só isso: você tem que se resolver emocionalmente, academicamente, profissionalmente e ainda viajar metade do mundo – com o seu dinheiro, claro.

É óbvio que eu gostaria de já estar totalmente resolvida aos meus 26 anos, não precisar da ajuda de mais ninguém pra absolutamente nada, sair do país duas vezes por ano e tudo mais. No entanto, essa não é a minha realidade – nem a de ninguém que eu conheça. Talvez isso seja possível se você herdou a empresa do seu pai ou se conseguiu um emprego de salário acima da média do mercado. Fora isso, migs, num dá.
Só que é isso que o mundo espera e pressiona o pessoal dos 20 e poucos anos. “Na sua idade, eu já tinha dois filhos e sustentava todo mundo”: beleza, amigo, deve ter sido muito pica pra você, mas hoje as necessidades e cobranças são outras.
Me diz aí: há alguém de 20 e poucos anos que não leva trabalho pra casa? Que não trabalhe mais que as tais 40 horas semanais? Que não tem que abdicar de finais de semana? E tem que fazer isso enquanto vira a noite pra entregar o trabalho da pós, escrever a dissertação do mestrado etc.?
Porque, amigo, é preciso ter estrelinha no Lattes. É preciso fazer a pós pra tentar mudar de emprego e ganhar 200 reais a mais no salário merda de sempre. E é preciso fazer a comida, ir ao mercado, lavar a louça, tirar o lixo…
Isso sem falar nas séries. Não é fácil manter as trezentas séries em dia, viu? Mas isso é bom para estudar inglês.

E francês.
E espanhol.
E italiano.
E alemão.
Porque um bom profissional, para ganhar bem, tem que ser poliglota.

E fazer um esporte.
Porque mente sã, corpo são. Ou corpo são, mente sã. Sei lá.

E se for mulher, dieta nela.
Porque não pode engordar de tanto estresse, né mores, senão não ~arruma um homem~. Porque, né, no meio disso tudo, cê não pode apenas optar em não namorar ninguém, vai ficar pra titia – pausa para mandar beijo pra Alice e Rafael, meus sobrinhos gostosos.

Então trabalhe, ganhe bem, fale três línguas, seja culta, seja bonita, tenha um namorado, esteja depilada, cabelo arrumado, roupa da moda, seja descolada, faça pós-graduação, corra às seis da manhã, tenha um carro, tenha um iPhone, arrume a casa, troque de namorado [porque aquele foi abusivo], trabalhe mais, trabalhe todo dia, trabalhe e estude, trabalhe com algo que cê estudou, estude algo que cê trabalhe, faça doutorado, antes dos 30.

Antes dos 30 faça tudo isso. E sem ajuda explícita, porque ajuda é feio. Só vale aquela que não se comenta quando se fala de meritocracia.

Faça tudo isso.
Antes dos 30 anos.

E depois vá à Disney.
Pra brincar feito criança.

Acho que agora eu estou me sentindo um pouco mais leve em saber que tem, pelo menos, 65 mil pessoas infelizes, insatisfeitas, inseguras como eu neste momento. De repente, eu me sinto menos pesada. Ninguém saberia dizer por quê estamos infelizes e tão pouco saberíamos encontrar algum objetivo pra “resolver” esta infelicidade. Às vezes encaro a vida como um video game e minha única vontade é de virar pro lado e falar “passa essa fase pra mim?”. Ainda prensada na parede tomando um tapa na cara a cada vez que eu lembro que estou completando um quarto de século, eu ouço gritar: “o quê você fez nos últimos 5 anos?” e “o quê você vai fazer nos próximos 5 anos?”

Cheguei na metade. Na metade do ano, na metade da década, na meta… de fazer alguma coisa boa. Ou alguma coisa certa. Não, a felicidade não está plena, nunca está do jeito que queremos. “E como queremos?” Esta é aquela nova meta de se prometer que, de novo, os próximos 365 dias hei de serem melhores…

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