04.10.2016

Yeonmi Park

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Yeonmi Park é uma garota norte-coreana, nascida em 04 de outubro de 1993. Com treze anos de idade, ela já acumulava um histórico de experiências assustadoras e comoventes em sua vida. Ela nunca poderia imaginar que a vida poderia ser boa; ela sequer conhecia o conceito de “amor” ou “liberdade”. Mas estava disposta a fazer qualquer coisa por uma tigela de arroz para, assim, sobreviver. Por isso fugiu.  :dove_of_peace:

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Eu conheci Yeonmi por conta de um vídeo que se tornou viral no Facebook um tempo atrás, onde ela conta sua experiência de vida em um evento chamado One World Young de 2014, em meio a muitas lágrimas. Esse vídeo [versão original em inglês] simplesmente me deixou mole e chorosa. Diante disto, ela lançou posteriormente seu livro biográfico “Para Poder Viver“. Quando eu a reconheci na capa, imediatamente comprei e fiquei simplesmente chocada com tudo o que ela conta. Ainda que seja uma leitura fácil, mas com um conteúdo forte, ela parece estar sempre otimista e esperançosa quanto à vida.

Sua vida se baseia em três momentos: Coréia do Norte, China (e Mongólia) e Coréia do Sul.

Coréia do Norte: sob um regime ditatorial e autoritário, sem liberdade de expressão e total obediência ao governo, Yeonmi viveu toda sua infância no escuro, com seus pais e sua irmã mais velha, Eunmi. Ela mesma conta no livro que acreditava que o líder poderia ler sua mente; qualquer um que ousasse desobedecê-lo, estaria mais próximo da morte (seja por execução, inanição, fome, prisão…). Ela explica sobre como é a divisão por castas e a sorte de haver ligações diretas com os partidos do governo, que poderia lhe garantir uma melhor qualidade de vida (ou ao menos uma tigela a mais de arroz no fim do dia). Houve um período que seus pais precisaram trabalhar no mercado negro para conseguir algum dinheiro e terem o que comer. Quando ela tinha chance, assistia DVDs piratas; seu filme favorito era Titanic. Ela já não estava mais indo para a escola e um dia seu pai acabou sendo preso. Com sorte, ele conseguiu sair vivo, mas estava muito abatido pra que todos se sentissem uma família novamente. Yeonmi já estava entrando em sua adolescência, quando a ideia de fugir (em 2007) veio à tona. Eunmi (sua irmã mais velha) conseguiu fugir com uma amiga para a China, deixando Yeonmi e a família para trás. Mas quando Yeonmi e a mãe decidiram fugir também, elas não encontraram mais Eunmi, ficando desaparecida por sete anos.

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China: Yeonmi imaginava que poderia confiar nos chineses, mesmo que estivesse pagando-os para ajudar sua mãe e ela na fuga. Após atravessarem um rio congelado (!), elas cairam em mãos de contrabandistas e traficantes de seres humanos (!!). Sua mãe foi estuprada na sua frente (!!!). Foram vendidas como noivas/escravas por menos de 200 dólares (!!!!). Não poderiam acreditar que a China poderia ser este submundo sujo em relação aos norte-coreanos. Seu pai conseguiu chegar à China, mas estava tão debilitado que veio a falecer, e ela o enterrou em silêncio. Com muita sorte, depois de dois anos nessa situação, elas encontraram um grupo cristão que as ajudaram a atravessar o deserto de Gobi (!!!!! MANO…). Graças às estrelas, elas conseguiram se guiar; chegaram até a Mongólia e entraram num avião pra Coréia do Sul…

Coréia do Sul: …bem, não foi tão fácil assim. Foi preciso muito tempo para se adaptar e ainda teve muitos problemas que teve de enfrentar junto de sua mãe. Quando já estavam estabelecidas por lá, ela voltou aos estudos e logo ingressou na faculdade (mas ela não chegou a concluir por conta do ativismo). Ela ainda conseguiu encontrar Eunmi, que estava presa no submundo chinês. Toda a sua história foi ganhando notoriedade quando alguns programas sul-coreanos estavam em busca de refugiados para contar sobre suas vidas na TV.  :loudspeaker:

Hoje, ela mora em Nova York, e é ativista dos direitos humanos. Ela faz palestras e trabalha numa ONG chamada LiNK, junto com outros refugiados norte-coreanos (que também possuem histórias incríveis e comoventes). Ela acaba de ficar noiva de um americano e hoje é seu aniversário.  :heart:

Conforme ela vai contando os fatos no livro, eu fazia as contas de onde eu estava no momento de sua fuga. O ápice entre 2009 e 2012 foram meus anos de faculdade. Foram os anos em que passei a almejar estar aqui agora, escrevendo neste blog, sem saber que falaria sobre ela. Ela veio na bienal de São Paulo em setembro mas, adivinhem? Eu não sabia, perdi minha chance. Ainda vou conhecer essa garota corajosa e inspiradora…

Fontes: Millenial Magazine

Categorias: Garota do Dia